[ como quem partiu ]
tem esses dias que não há um lugar certo que lhe caiba? pra mim tem. um cativeiro sufocante. uma cela claustrofóbica. uma rua sem saída. entendeu? isso. parece isso.
tinha caminhado a tarde inteira debaixo de sol, achando a luz muito bonita mas muito intensa, fechando os olhos pra poder ver, e com uma sandália do pé direito faltando um pedaço da sola, o que me fazia mancar sem perceber, só notei quando comecei a sentir as dores nas costas. encostei numa parede qualquer - uma barraca que vendia côco, acho - e fiquei logo descalça, antes de ser pega de supresa. a pele meio queimada, o humor meio alterado, o mundo já meio pequeno.
apertada nas possibilidades poucas, fui andando até a beira do mar, e aquilo deve ter sido pânico. não é assim? as ondas eram minúsculas, e ainda assim pareciam saltar por cima de mim, a areia não me deixava correr e minha mente queria me enganar, fingindo que era um sonho daqueles que parece real, mas era real que parecia sonho que parece real. e ao mesmo tempo, não era real! pânico, não é? caí sentada e acho que acordei quando a onda realmente chegou em mim, molhando pés, pernas, o short e as mãos. fiquei lá, sentindo o ir e vir, e a respiração foi se juntando ao ritmo da água e acalmando...
não é divertido estar num mundo assim feito um catre. não é real, mas que importa se parece que é? pensamento divergente, ação de hormônios loucos, crise nas infinitas terras de minha cabeça, cansaço domingueiro, alguma das opções ou todas juntas?
unhappiness happens, did you know?
[ L. ]
tinha caminhado a tarde inteira debaixo de sol, achando a luz muito bonita mas muito intensa, fechando os olhos pra poder ver, e com uma sandália do pé direito faltando um pedaço da sola, o que me fazia mancar sem perceber, só notei quando comecei a sentir as dores nas costas. encostei numa parede qualquer - uma barraca que vendia côco, acho - e fiquei logo descalça, antes de ser pega de supresa. a pele meio queimada, o humor meio alterado, o mundo já meio pequeno.
apertada nas possibilidades poucas, fui andando até a beira do mar, e aquilo deve ter sido pânico. não é assim? as ondas eram minúsculas, e ainda assim pareciam saltar por cima de mim, a areia não me deixava correr e minha mente queria me enganar, fingindo que era um sonho daqueles que parece real, mas era real que parecia sonho que parece real. e ao mesmo tempo, não era real! pânico, não é? caí sentada e acho que acordei quando a onda realmente chegou em mim, molhando pés, pernas, o short e as mãos. fiquei lá, sentindo o ir e vir, e a respiração foi se juntando ao ritmo da água e acalmando...
não é divertido estar num mundo assim feito um catre. não é real, mas que importa se parece que é? pensamento divergente, ação de hormônios loucos, crise nas infinitas terras de minha cabeça, cansaço domingueiro, alguma das opções ou todas juntas?
unhappiness happens, did you know?
[ L. ]
