[ caríssimo ]
no meio de toda a atribulação cotidiana um pensamento me traz até aqui pra escrever pra você e assim ficar mais perto, achar as portas e janelas que desfazem os obstáculos e diminuem as distâncias. sento numa mesa à beira-mar e imagino como era antes dessas pessoas todas, desses bares espalhando cada vez mais mesas e cadeiras, desses carros com sons estrondantes - destoantes do mar verde-azul com ondas poucas e barcos à vela... uma praia imaculada. onde haverá? reflito mais um pouco, e: pra que haverá? como sabê-la? e penso em você e percebo a inutilidade do imaculado. essa bobagem de querer descobrir o que ninguém nunca soube, quando o bom é exatamente sabê-lo. a mácula é que nos une, uma pessoa a outra pessoa e meus pés a essa areia fina e meu corpo inteiro a essa água morna...
lastimo sua falta, seria bom se pudesse ver quanto sol amarelo cabe naquela faixa de água entre a ponta da direita e as pedras da esquerda, e se pudesse me puxar pela cintura e me agarrar e junto comigo macular aquela beleza com nossa beleza, que mácula de repente é isso, é fim de solidão, é deixar-se juntar por algum tempo ou todo o tempo...
parecia um domingo bom, de um tempo em que havia. e arrastou-se até hoje, com as horas pulando de três em três. abandonar-se pode ser uma delícia.
[ L. ]
lastimo sua falta, seria bom se pudesse ver quanto sol amarelo cabe naquela faixa de água entre a ponta da direita e as pedras da esquerda, e se pudesse me puxar pela cintura e me agarrar e junto comigo macular aquela beleza com nossa beleza, que mácula de repente é isso, é fim de solidão, é deixar-se juntar por algum tempo ou todo o tempo...
parecia um domingo bom, de um tempo em que havia. e arrastou-se até hoje, com as horas pulando de três em três. abandonar-se pode ser uma delícia.
[ L. ]
